1º semestre de 2010

As casualidades no sexo casual

Por Juliana Uribe Vélez

O porteiro do hotel entrou rápido no quarto e encontrou-os nus. Dan levantou-se frente a Camila tentado proteger um pouco da vergonha que ela tinha e perguntou ao porteiro o que poderia ser tão urgente para entrar sem bater na porta.

– Vocês ainda não pagaram as cervejas no bar.

Essa resposta fez com que Dan e Camila ficassem mais chocados ainda e continuaram nus, um de frente ao outro, olhando para o porteiro, esperando que ele compreendesse o bizarro da situação e fosse embora, mas ele ficou olhando Camila, até que Dan falou para ele, com força, que era melhor sair e que ele já pagaria as cervejas no bar.

“Nunca transo com pessoas que não conheço, mas a única vez que eu tento, fico nua no meio dum quarto, exposta ao olhar dos desconhecidos”, falava Camila depois que o porteiro saiu e Dan tentava continuar o que eles faziam antes de tão estranha interrupção. Começou a lhe beijar de novo, até que ela esqueceu tudo e terminou o que eles tinham começado no bar do hotel.

Exercício prático

O sexo casual tem agora a força do exercício prático e fora de qualquer compromisso, só é preciso conhecer uma pessoa “gostosa” e que ela tenha a mesma vontade que você, é o sexo a la carte, com a variedade infinita e dentro das possibilidades de cada um.

Depois de uma revolução sexual, onde as mulheres tomaram o controle de sua sexualidade, a idéia de que elas tivessem sexo da mesma forma do que o homens, escolher com quem, de que maneira e onde, virou o novo slogan das revistas tipo Cosmopolitan com suas matérias de “1.000 formas de ter um bom orgasmo”, “Encontra teu ponto G” e tudo relacionado com as possibilidades de um bom sexo sem nenhum compromisso. O sexo para muitas pessoas encontra-se à mesma distância da parada do ônibus e “é ótimo por que ninguém tem que ligar ao outro dia, se não quiser”.

As histórias que surgem depois do sexo com desconhecidos podem se tornar engraçadas como no caso da Camila e Dan, muitas pessoas falam de barulhos que fazem os outros durante o momento do sexo ou dos gostos estranhos até esquisitos que tem essas pessoas que conheceram por uma noite só. “Um cara chorou”, “uma mulher me pediu que lhe chamasse com outro nome”, “ele gostava que transássemos no chão do lado da cama”, são algumas das mais comuns, mas outras pessoas falam de que foram forçadas a fazer coisas que não gostavam, foram maltratadas, ou que o jeito particular de alguém não foi bom e muitas vezes ficavam um pouco chocadas.

A psicóloga Adriana Uribe fala que “cada qual tem seus jogos e sonhos sexuais, e todos são diferentes e é uma sorte conhecer alguém que goste mesmo deles” .

Não para todos

Contra o sexo casual não só existem as reações óbvias daquelas de formação religiosa ou moralista. Também há pontos de vista que se apresentam contraditórios desde a lógica e a prática. A maioria das pessoas que tem sexo casual esquece o uso do preservativo, deixando em risco sua saúde e a de seus companheiros, trabalhando como uma ponte de infecção.

“Esquecem pela rapidez do momento, por não perder a oportunidade e depois começam os problemas”, isto é o que o medico Diego López fala sempre para seus pacientes jovens, “não importa onde nem com quem, é preciso ter sempre um preservativo, ninguém sabe o que vai acontecer”.

“Ter sexo com um desconhecido não me deixa calma, não tenho a confiança para falar o que eu gosto ou como gosto”, “não se tem tempo de conhecer o que lhe dá prazer a outra pessoa”, “fico com medo”, estas são algumas frases comuns para aqueles que não gostam do sexo casual, além de que não se conhece a outra pessoa, dos riscos que se correm e de todas essas histórias onde o sexo foi ruim ou o perigo corrido foi muito intenso.

Anna acordou nos braços de Pierre, ele a abraçava como se fosse seu namorado e ela ficou com a sensação de que tudo isso era demais, tendo liberado outro corpo ainda dormindo e foi para o banheiro, se sentou lá por um tempo e depois saiu rápido para sua casa, não tem que ficar a manhã com um homem com quem não namora.

Ter sexo casual é bom se as pessoas têm bons momentos, se conseguem fazer um bom casal e se não se corre perigo, fazer realidade qualquer fantasia, são coisas que fazem a vida boa, o sexo casual e livre e não pede muito de volta, só é preciso saber-se comportar e não ficar no circulo viciado dos excessos. Todos os dias os jornais e as revistas do mundo light contam os testemunhos de muitas pessoas e suas experiências tendo sexo casual, se fala da falta se compromisso o de a pouca necessidade que se tem agora de fazer coisas de um tipo mais formal, a liberdade que os homens como as mulheres tem de ter uma sexualidade mais própria, e são as rações individuais as que contam no momento de ter sexo, todo depende da personalidade e se as pessoas têm vontade.

Rodrigo acordou num lençol de cores fortes e abraçando uma mulher bonita, que conheceu na noite anterior, bebendo cerveja no bar, ela convidou-o para sua casa. O sexo foi muito bom e acordar ao lado de uma mulher bonita é “a melhor maneira do começar o fim de semana”. Ele tomou uma ducha rápida, se vestiu e procurou uma lanchonete perto, para continuar o dia com um bom café da manhã. Caminhando para sua casa descobriu que tinha esquecido o nome da mulher ou talvez não tenha perguntado para ela.

Muitas são as pessoas que, como Rodrigo, gostam do sexo casual e têm sorte, ficar com um desconhecido e fazer, segundo eles, o que quiser sem comprometer a ninguém. Seguir curtindo com os mesmos amigos de sempre, poder fazer qualquer coisa sem perguntar a ninguém pelo nome dos pais nem ter que lembrar as coisas que apaixonam as outras pessoas.

O sexo foi ruim, “perdi meu tempo com este cara”, pensou Olga quando se vestia. Ela saiu no meio da festa com um homem que conheceu na balada, beberam duas caipiroskas, dançaram e se beijaram a noite inteira e quando ele lhe convidou para sua casa, ela não pensou muito e tomou sua mão e saiu direito para onde lhe levaram. Mas o outro dia acordou com a certeza de ter uma noite pouco gostosa, “não foi ruim, nem bom, simplesmente quase nem foi”.

Decisão de cada um

O sexo casual conta com muitos elementos a favor e muitos em contra e é eleição individual se se gosta ou não disso. Para aqueles que gostam as explicações e as alternativas são muitas, e além dos argumentos anteriormente mencionados, tem também a possibilidade de gozar do desconhecido, coisa que para muitas pessoas se transforma numa situação excitante, onde um número forte de jogos sexuais giram em torno dessa idéia.

A variedade no sexo é também um forte argumento de quem gosta e pratica o sexo casual com regularidade. Não ter que ficar com a mesma pessoa e poder escolher cada dia uma diferente, tendo a oportunidade de ter em muitas ocasiões os contrastes, “nesta sexta uma loira, neste sábado uma morena, hoje uma estrangeira” e fecham qualquer discussão sobre promiscuidade com a famosa frase “na variedade está o lazer”.

“Agora as pessoas se comprometem porque elas têm vontade, não porque tem que fazer o que alguns ficam fechados frente à possibilidade o desenvolvem uma fobia a este”, fala Adriana Uribe, psicóloga, quem também fala de que o importante não é se há ou não sexo casual, o ponto chave é não ficar nos excessos, “o problema é sempre o sexo irresponsável, não se é com a mesma pessoa ou não”

As pesquisas de opinião na rede, as revistas femininas e masculinas fazem diariamente publicidade ao sexo casual como um símbolo da liberdade do século XXI, homens e mulheres fazem o ritual para escolher a sua próxima aventura de maneira rápida e superficial. No fim de contas é uma pesquisa para uma satisfação carnal, é sexo, ninguém vai apresentar seus pais no próximo domingo.

Morgan tinha só um fim de semana em São Paulo, viajou sete horas de ônibus para chegar na noite para uma festa de estrangeiros na Vila Madalena. Morava há um ano no Rio de Janeiro, e lá, sua relação com as mulheres era todo um sucesso: francês, 22 anos, alto, cabelos loiros, pele branca e olhos azuis, nunca tinha voltado sozinho para casa e nesse dia não tinha porque ser a exceção, não foi.

No elevador continuou beijando essa mulher que já encontrara bêbada após tanta cachaça, seus amigos se olhavam entre eles, a festa foi boa e a madrugada já começava dar senhas. Morgan olhou para a mulher, tentando enfocar seu rosto por um momento só e perguntou:

– Qual é teu nome?

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