1º semestre de 2010

Bruna Surfistinha na marola…

Por Giovana Romani

Raquel, 23 anos, poderia ser sua vizinha. Simpática, bem-educada e inteligente mora há três anos com o namorado em Moema, bairro nobre da capital paulista. Estudou em colégios de elite e tem um português impecável, falado com cuidado redobrado durante uma entrevista. Acabou de ler Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, e adorou. Só não gosta mesmo do gênero auto-ajuda. Dorme tarde – nunca antes do Programa do Jô – e acorda razoavelmente cedo, lá pelas 8h30 da manhã. De seu escritório responde uma média de 70 a 80 e-mails por dia. É de lá também que acompanha o lucro dos três livros já publicados por ela e negocia a venda dos direitos autorais de sua história para 12 outros países e até para o cinema. Não fosse pela superexposição de Raquel Pacheco em tudo quanto é programa de TV e do fenômeno editorial que ela se tornou, você provavelmente jamais desconfiaria de que aquela sua vizinha um dia foi Bruna Surfistinha. Até hoje, a prostituta mais famosa do Brasil.

Tudo começou pra valer quando Raquel tinha 17 anos e fugiu de casa depois de uma série de desentendimentos com os pais conservadores. Sem ter para onde ir, entrou em um bordel e lá ficou por um ano. Na verdade, as aventuras e desventuras sexuais da moça foram iniciadas antes. Aos 14 teve de sair da escola porque ficou com fama de puta. É que ela fez sexo oral em um colega numa rua sem saída próxima ao colégio e todo mundo ficou sabendo. “Ninguém mais falava comigo, parecia que eu tinha matado o menino”, lembra. “O que me consola é que quem falou mal de mim na época deve agora fazer muito sexo oral. E adorar.” Foi assim que, sem ligar para barreiras ou constrangimentos, Raquel tornou-se Bruna. Os longos cabelos dourados e o corpo bronzeado pelo sol do Guarujá renderam à menina, que nunca pegou uma onda sequer, o “sobrenome” Surfistinha. Ela não se faz de rogada. Garante que sua curta carreira como garota de programa, dos 17 aos 20 anos, não foi difícil e sofrida como manda o clichê. “Uni o útil a agradável. Se eu não cobrasse, seria uma galinha que dava para todo mundo por aí”, diz.

E olha que se tem uma coisa de que ela entende é unir o útil ao agradável. Já recebendo clientes em um flat passou a fazer um banco de dados com o perfil dos homens que a procuravam. Além de itens básicos como idade, estado civil e tipo físico, descrevia o desempenho de cada um deles. Não tardou para começar a despejar essas informações em um blog, virar hit da Internet e… Bem, como não é novidade para ninguém, o blog rendeu o livro O Doce Veneno do Escorpião, lançado em 2005. As relações detalhadas com “uns 3000 homens” e o completo despudor para falar de todo e qualquer assunto que envolve sexo (dentro ou fora das quatro paredes, com homens ou mulheres, com um ou oito rapazes ao mesmo tempo, romântico ou selvagem) renderam ao título uma excepcional venda de 250 mil cópias. “Muita gente me procura para falar que começou a gostar de ler por causa do meu livro”, orgulha-se.

Bruna é mesmo uma marketeira de primeira. Quando deu os primeiros passos rumo ao estrelato, o preço de um programa com ela subiu de 100 para 250 reais. Com os dois pés no intervalo de tempo conhecido como quinze minutos de fama, resolveu largar a prostituição. “Estava exausta”, conta. “Naquela vida tinha milhares de homens, mas continuava carente.” Chegou a cobrar 500 reais por uma hora ao seu lado no último dia de labuta. Em 27 de outubro de 2005, Bruna voltou a ser Raquel.

Assim mesmo, da noite para o dia, como em um filme. Aliás, a partir do ano que vem sua vida vai mesmo virar um longa, dirigido por Marcus Baldini e roteirizado por Karim Aïnouz. O happy end fica por conta do grande amor, João Paulo, encontrado entre um cliente e outro. O que resta para depois dos créditos: até hoje a ex-prostituta não teve nenhuma notícia sobre seus pais e irmãs mais velhas. “Acho que eles nem me consideram mais como filha.” Já que não tem mais família, vai criar uma nova. “Quero engravidar no ano que vem.” Aproveitando seu know-how, também vai abrir uma butique erótica de luxo no segundo semestre deste ano.

A safada Bruna ainda visita a monogâmica Raquel de vez em quando. Juntas elas escreveram o livro Na Cama com Bruna Surfistinha, lançado em janeiro. Nele, a autora dá dicas picantes para casais que têm relações morninhas. Quer saber algumas delas? Confira na rapidinha (com o perdão do trocadilho) da ex-garota de programa à Babel:

O que você ensina às esposas que pedem seus conselhos sexuais?

Que é preciso inventar coisas, mas não tem que ser nada de outro mundo. Se ela estiver dirigindo o carro, por exemplo, pode entrar no motel sem falar nada para o namorado. Em casa não dá para transar na mesma cama todo dia. Tem que variar, fazer no chuveiro, no sofá da sala, na cozinha. Outra coisa é criar personagens e variar na intensidade do sexo. Um dia ela pode ser romântica e dar beijinhos. No outro pode ser selvagem e fazer sexo animal.

Você usa esses truques?

Uso, uso sim. Quando eu me prostituia era mais fácil. Os homens mudavam e se eu quisesse podia fazer a mesma coisa com todos eles. As mesmas posições e brincadeiras. Hoje, que sou praticamente casada, tenho que me esforçar para variar mais.

Sexo anal ainda é um tabu para os casais?

Sim. Mas aí a culpa é do homem e da mulher. Eles têm que ter paciência, não é da primeira vez que vão conseguir. Eu não tive problema porque minha primeira na vida vez foi com sexo anal. Já as mulheres precisam abrir a cabeça, não é um monstro. Pelo contrário, é muito bom. E elas precisam lembrar que o que o marido não acha em casa, vai procurar na rua. Principalmente nas prostitutas.

Como é essa história da sua primeira vez ser com sexo anal?

Eu tinha uns 15 anos e minhas amigas falavam que transar doía muito. Aí pensei ‘bom, vou experimentar por trás então’. Achei que doeria menos. Ledo engano.

Tem alguma coisa que você fazia como prostituta e não faz como namorada?

Ai, tem várias. Fazer papel inverso é uma delas. Não curto ser o homem da relação, não tenho um pênis. Quando isso acontecia brincava que eu não tinha sido a Bruna aquela noite, mas sim, o Bruninho.

E seu namorado nunca te pediu isso?

Não e se ele me pedisse eu ia achar muito estranho. Não é preconceito, cada um tem sua fantasia. Mas que é estranho é.

E os apetrechos, como os que você venderá na sua butique erótica, funcionam mesmo?

Muito, uma novidade é uma calcinha com um minivibrador que fica bem na região do clitóris e é comandado por um controle remoto sem fio.

Você já usou essa calcinha? Como foi?

Já fui até para a balada com ela. O homem fica totalmente no controle da situação. Ele pode te encher de tesão no meio de todo mundo, sem ninguém perceber. É uma cumplicidade dos dois. O vibrador só liga e desliga quando ele bem entender, e pode ser naquele momento ótimo para a mulher. Afinal, os homens adoram dominar e ficar no controle da situação.

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