1º semestre de 2010

Prazeres e orgasmos tamanho infantil

Por Amanda Rossi

Olha tio, não sei se o senhor vai achar gostoso, mas o menino preto, quando eu fui falar com ele lá perto da estrada, disse que a gente podia namorar um pouco. Eu fui, e você não sabe como é bonito pau preto. Ele se chama José, mas chamam ele de Juca. Ele também pegou na minha coninha e quis espiar, e aí ele tirou o pau lindo preto, e a gente fez como o médico, ficou se olhando. Depois ele quis passar a língua em mim, e a língua dele é tão quente que você não entende como uma língua pode ser quente assim.

Crianças e sexualidade. Qual conectivo você usaria pra fazer a ponte entre uma e outra? Violência sexual, abuso, doença? Ou aprendizagem, descobertas, naturalidade? Pra você, as crianças são ingênuas, destituídas de desejos e prazeres sexuais? Ou têm e manifestam sua própria sexualidade?

Fiz essas perguntas pra tentar dar algumas pistas sobre o assunto que este texto vai abordar e despistar alguns tipos de leitores. Os moralistas e sexualmente repressivos (ou reprimidos), sobretudo. Minha matéria vai abordar a sexualidade infantil, goste você ou não da idéia de que seu filho, sobrinho, irmão ou neto pequenos sejam sujeitos sexuais ativos.

Surpreendi minha filha de 6 anos deitada na cama com um priminho da mesma idade. Ambos estava de roupa, agarradinhos sob um lençol, no quarto da empregada. Quando abri a porta e perguntei o que estavam fazendo, meu sobrinho pulou da cama e saiu correndo. Minha filha não respondia nada, até que lhe dei um puxão de orelha e ela gaguejou que estavam “só brincando de marido e mulher”. Disse que todos os seus amiguinhos queriam brincar disso.

Se você é um desses leitores e resolveu seguir a leitura, saiba que você não está só. A sexualidade infantil é um tabu. Não só pra você. Pra muita gente. É um dos tabus sexuais sobreviventes ao último século, no qual caíram diversas barreiras relacionadas à sexualidade.

Freud explica

Mas também preciso lhe dizer que você e os outros como você estão atrasados. Olhe o que Freud escreveu já em 1905: “Faz parte da opinião popular sobre a pulsão sexual que ela está ausente na infância e só desperta no período da vida designado de puberdade. Mas esse não é apenas um erro qualquer, e sim um equívoco de graves conseqüências, pois é o principal culpado de nossa ignorância de hoje sobre as condições básicas da vida sexual”.

Foi Freud que deu notoriedade à existência da sexualidade infantil. Ele dizia que quando a criança tem três ou quatro anos de idade, sua “vida sexual” é mais facilmente notada. Mas, muito antes disso, elas já manifestam sua sexualidade. Além disso, uma característica essencial da sexualidade infantil apontada por Freud é “o fato de ela ser essencialmente auto-erótica (seu objeto encontra-se no próprio corpo)”. A obtenção do prazer está, nas crianças, desvinculada da reprodução e durante um longo período da infância a zona erógena genital não é a principal.

Freud também escreveu que um motivo pelo qual as pessoas não dão valor ao período infantil no desenvolvimento sexual é a amnésia que esconde nossas primeiras vivências, até a idade de seis ou oito anos. É quase um tapa na cara de quem não aceita a sexualidade infantil, porque, em outras palavras, Freud diz que mesmo essas pessoas tiveram suas próprias experiências sexuais quando eram crianças. Apenas não se lembram disso, mas que tiveram, tiveram.

Eu tenho oito anos. Eu vou contar tudo do jeito que eu sei porque mamãe e papai me falaram pra eu contar do jeito que eu sei (…). O homem que não é tão moço pediu preu tirar a calcinha. Eu tirei. Aí ele pediu para eu abrir as perninhas e ficar deitada e eu fiquei. Então ele começou a passar a mão na minha coxa que é muito fofinha e gorda, e pediu que eu abrisse as minhas perninhas. Eu gosto muito quando passam a mão na minha coxinha. Daí o homem disse pra eu ficar bem quietinha, que ele ia dar um beijo na minha coisinha. Ele começou a me lamber como o meu gato se lambe, bem devagarinho, e apertava bem gostoso o meu bumbum. Eu fiquei bem quietinha porque é uma delícia e eu queria que ele ficasse lambendo o tempo inteiro.

Ao lado do leitor moralista e contra Freud estão as representações da infância em propagandas, tevê, cinema, teatro, jornalismo, quase exclusivamente puras e inocentes, como se as crianças fossem incapazes de vivenciar desejos e prazeres sexuais. Na maioria das vezes que os temas sexo e infância aparecem juntos, trata-se da violência sexual, do abuso, do trauma. Dificilmente se aborda a naturalidade do desenvolvimento sexual da criança.

Imaginário

“A imagem literária da infância como a idealização de um irrecuperável tempo de inocência foi construída no período em que a historiografia localiza o Romantismo, ou seja, entre o início do século XIC até a década de 1870. Essa imagem foi fixada no nosso imaginário de um modo muito profundo, a ponto de a sociedade não permitir qualquer questionamento a essa idéia de que a infância corresponde a uma etapa da vida do homem em que ele ainda é dotado de pureza e que, por isso mesmo, deve ser protegida, inclusive por leis cada vez mais rígidas”. Foi o que me disse Anderson Luís Nunes da Mata, estudioso das representações das crianças na literatura brasileira.

No estudo intitulado “O Silêncio das Crianças”, ele conclui: “A infância que as classes-médias e as elites – quem consome literatura neste país – ainda conservam para suas crianças está calcada num universo infantil romântico. Porém, atentas à existência da sexualidade infantil, transformam-na em assunto tabu e reprimem não só a expressão da sexualidade das crianças, como também a circulação de qualquer discurso a este respeito”.

Quem tem nariz e língua não precisa de brinquedo. (…) Aos sete anos, em 1973, fiquei deliberadamente de pau duro. Uma garota peituda foi a responsável. Eu tenho uma foto dessa época em que estou em cima de uma lhama. Um garoto triste, olhos grandes e castanhos (em cima da lhama) afagando a caveira de um bichinho qualquer – um esquilo, talvez – quase que despencando da porra da lhama. Eu enforcava meus sonhos em tripas invisíveis. E via televisão. A Tevê me educava no que era preciso, o resto, aprendi olhando pra baixo.

Interessante notar que, apesar de manter a imagem da criança atrelada à inocência, as mídias vinculam imagens eróticas, erotizadas ou pornográficas. Mensagens que também chegam às crianças. Anderson me lembrou que o termo infância, em sua etimologia, designa a faixa etária em que o ser ainda não é dotado da capacidade de falar.

Depois, disse: “É cada vez mais difícil controlar o acesso das crianças à informação, o que as leva a ser cada vez menos in-fantes, ou seja, cada vez menos mudas, e mais capazes de enfrentar os adultos. Daí alguns pesquisadores falarem em uma crise da infância, localizada justamente nessa criança que se informa – pela TV, rádio, jornal e Internet – do mesmo modo que os adultos, sem mediação, sem proteção. Já há reações no sentido de voltar a proteger a criança”.

Revelou a espantosa verdade. Durante um período muito longo antes de Nosso Ford, e até no decurso de algumas gerações ulteriores, os brinquedos eróticos entre as crianças eram considerados anormais (houve uma gargalhada); e não apenas anormais, mas realmente imorais (não!); e eram, portanto, rigorosamente reprimidos.
A fisionomia de seus ouvintes tomou uma expressão de incredulidade espantada. O quê? As pobres crianças não tinham o direito de se divertir? Não podiam acreditar..
– E até mesmo os adolescentes – dizia o D.I.C -, os adolescentes com os senhores…
– Não é possível!
– Salvo um pouco de auto-erotismo e de homossexualidade, às escondidas… absolutamente nada.

Kinsey

“Você está falando com o pioneiro, fui eu que introduzi a terapia sexual no Brasil. Todos os primeiros sexólogos foram meus alunos, inclusive a Marta Suplicy”. Foi assim meu primeiro contato com o doutor Haruo Okawara, da Clínica Kinsey (desse Kinsey vou falar depois), que diz já ter atendido clientes famosos, como Vitor Civita, empresários conhecidos e apresentadoras de televisão.

“O instinto sexual é metade dos instintos dos seres humanos, para reprodução da espécie. A outra metade é o instinto de sobrevivência, para manutenção da espécie. Na criança, o instinto sexual já está super presente. Você vai se escandalizar (afinal, a sexualidade infantil ainda é tabu). É claro que ele vai se desenvolvendo ao longo da personalidade humana. Mas a criança não é absolutamente inocente”, me garantiu o doutor Haruo.

O sexo dos adultos não existia, apenas as proibições e os castigos: ora bolas, era tudo necessariamente tesudo e gratificante; o sifão da pia, por exemplo, fudia com cotonetes quebrados e era sentimento vago, mistura de cabelos pixaim com líquidos não sabidos que entupia o ralo – pelo menos para mim – de SEXO. A mesma coisa, eu digo, a sordidez e a sujeira, valia pras calcinhas e sutiãs dependurados no cano do chuveiro elétrico. Valia pra mim, que lambia, cheirava… (…) A infância, em suma, pode ser uma coisa sórdida para quem sabe aproveitar. Eu usei muito meu nariz.

Agora vamos para o Kinsey, Alfred Kinsey. Cheguei no doutor Haruo por causa desse pesquisador norte-americano que chocou a sociedade do seu país ao publicar em 1948 Sexual Behavior in the Human Male (Comportamento Sexual no Homem) e em 1953 Sexual Behavior in the Human Female (Comportamento Sexual na Mulher).

Algumas descobertas dos relatórios Kinsey: 92% dos homens e 62% das mulheres norte-americanos da década de 1950 se masturbavam; 26% das mulheres traíram ou traiam seus maridos.

“Kinsey foi o maior pesquisador do comportamento sexual do mundo. Nunca houve uma pesquisa tão extensa, nem antes nem depois de Kinsey”, nas palavras do doutor Haruo. “Ele tinha uma metodologia muito rígida. Por cerca de 10 anos, junto com mais três colaboradores, interrogou 6 mil e poucos homens e 6 mil e poucas mulheres, em todos os estados americanos, fazendo a cada um 500 perguntas”.

As pesquisas de Kinsey envolveram também a sexualidade infantil, as experiências sexuais pré-adolescentes. Juntamente com Freud, ele é considerado precursor dos estudos da sexualidade infantil.

Mãe inteligente que frequentemente observava sua filha de três anos se masturbando, descreveu como segue: “Deitada de barriga para baixo, com seus joelhos levantados, ela iniciava movimentos ritmados da pélvis, a cada segundo ou menos (…) Em pausas momentâneas a genitália era reajustada à boneca na qual ela estava encostada; o retorno de cada movimento era convulsivo, aos trancos (…). Houve uma concentração marcada e respiração intensa com abruptas contorções à medida que o orgasmo se aproximava. Ela estava completamente esquecida de tudo durante os últimos estágios da atividade. Seus olhos estavam envidraçados e fixos em um ponto distante. Houve um alívio e relaxamento após o orgasmo”.

Os resultados dos relatórios Kinsey relativos às crianças norte-americanas do século XX são capazes de surpreender os adultos progressistas do século XXI e traumatizar os moralistas – se você é dos últimos, vou alertá-lo mais uma vez: pare por aqui.

Orgasmo

Você acha que uma criança não tem orgasmo? Pois saiba que Kinsey relatou orgasmos em bebês com menos de um ano, em ambos os sexos. “Não existe nenhum aspecto essencial do orgasmo de um adulto que não tenha sido observado nos orgasmos que as crianças pequenas podem ter”, afirmava ele.

– Eis ali um grupinho encantador – disse, apontando com o dedo.
Num pequeno espaço gramado entre altas moitas de urzes mediterrâneas, duas crianças, um garoto de cerca de sete anos e uma menina que poderia ter um ano a mais, dedicavam-se muito seriamente, com toda a concentração de sábios absortos em algum trabalho de descoberta, a um jogo sexual rudimentar.

Abaixo, algumas estatísticas que Kinsey revelou sobre sua época:

Meninas: foram relatados orgasmos em bebês com menos de um ano de idade; 14% das mulheres entrevistadas relataram terem atingido o orgasmo, seja através da masturbação ou do contato com outras crianças, pessoas mais velhas ou cachorros e gatos, antes da adolescência; 48% relataram terem participado de jogos sexuais (principalmente mostrar o corpo nu) na infância, com crianças do mesmo sexo ou do sexo oposto;

Meninos: ……………………..

Eu descobri as palavras antes do sexo. Ou a pornografia antes do erotismo – junto com a idéia da mutilação. O que me fez entender que a sordidez ou “a fanchonice” vinha em primeiro lugar e o que realmente importava era meter o pau dentro dos buracos (isso vale pra qualquer comerciante estabelecido). O erotismo me reprimia. Os buracos sujos – os ralos, especialmente – é que me educaram. Daí a nostalgia das palavras, a tesão (no feminino, sempre); e o resgate incisivo de esmaltes e tinturas da linha Marú. Eu queria fuder com as palavras. Vale dizer, queria salvá-las. Ou esvaziá-las para, em última análise, esquecê-las.

Antes de iniciar a próxima parte, vale explicar uma coisa: sexualidade vai muito além do sexo. “Quando nascemos é pelo corpo que sentimos o mundo, o corpo todo é erótico”. Palavras de Maria Cecília Pereira da Silva, que foi citada no início da matéria. Ela é psicanalista, autora e coordenadora de diversos ensaios sobre sexualidade infantil.

Ainda com ela: “Os primeiros contatos da mãe com o bebê no banho, na amamentação e todos os outros carinhos, as trocas de olhar e o ninar fazem com que ele sinta muito prazer e se sinta vivo. Tudo isso vai compondo as primeiras sensações sensuais e será a base para o desenvolvimento da resposta erótica, da capacidade de construir os vínculos amorosos e do desejo de aprender. Esse prazer, se não nos ‘robotizarmos’ demais com a vida adulta dura que vivemos, vai se manifestar num corpo todo erótico”.

Pra finalizar: “A sexualidade se manifesta ao longo de toda nossa vida. Suas manifestações estão presentes nas conversas, brincadeiras, jogos, relacionamentos e dramatizações em grupo ou individuais. A sexualidade está presente nos momentos em que o sujeito está interagindo afetivamente com outro ou outros e quando está isolado, só ou em momentos reflexivos”.

Em 1972 eu já era uma criança triste. Um dia, por incompatibilidade comigo mesmo, aprendi a olhar pra baixo. Eu tinha tesão… como toda criança… e lambia azulejos impossíveis (por desforra, decerto) e em silêncio.

Fases

Feitos esses esclarecimentos sobre a sexualidade, podemos continuar. Freud descreveu fases distintas da sexualidade infantil. As mais importantes são: oral, anal, fálica e genital.

A oral é a fase dos bebês. Tem como característica o chuchar, que em definições teóricas é uma repetição ritmada de uma sucção com a boca sem nenhum objetivo de alimentação. Quer dizer, a chupeta, o dedo, os brinquedinhos e controles remotos que não saem da boca do bebê já contém um prazer ligado à sexualidade.

Que absurdo, vão dizer alguns leitores caretas. Essa baboseira psicanalítica freudiana que insiste em sexualizar tudo! Até parece! Esse tipo de leitor não tem solução. Já avisei desde o início para que não fosse à diante na leitura. Para os leitores um pouco mais, digamos, abertos a novas verdades, posso dizer que repare um pouco mais em como subitamente o bebê se acalma e relaxa o corpo após uma chupeta.

Eu fui pegando e o Abelzinho foi ficando duro, fui pegando pra cima e pra baixo, com a mão do tio Abel em cima da minha pra me ensinar, e o Abelzinho foi crescendo e ficando coradinho, e aí eu abri bem a boca e escondi a cabeça dele na minha boca. Tinha um gosto engraçado, de mandioca cozida. E enquanto eu escondi a cabeça dele na minha boca, tio Abel empurrava um pouco a minha cabeça bem devagarinho, depois mais depressa, e ele, o tio, punha o dedo dele no meu buraquinho de trás e senti uma delícia, e descansava um pouco e falava com o Abelzinho, mas o tio não tirava o dedo do meu cuzinho.

A segunda fase, a anal, começa por volta de um ano e meio e dois, conta Maria Cecília. “É o momento em que iniciamos as crianças no controle dos esfíncteres”, ou seja, o momento em que as crianças conseguem controlar o momento da defecação. Chocado?

Diz Freud no estudo de 1905: “As crianças que tiram proveito da estimulabilidade erógena da zona anal denunciam-se por reterem as fezes até que sua acumulação provoca violentas contrações musculares e, na passagem pelo ânus, pode exercer uma estimulação intensa da mucosa”. Mas adiante, ele continua: “A estimulação masturbatória efetiva da zona anal com a ajuda do dedo, provocada por uma comichão centralmente determinada ou perifericamente mantida, não é nada rara nas crianças mais velhas”.

De três a cinco anos, predomina a fase fálica, que é a fase dos porquês e na qual se manifesta a curiosidade sexual. As crianças querem saber de onde vêem, a origem dos bebês e gostam de ficar se olhando e olhando outras crianças e adultos nus.

Também nesta fase as crianças têm grande interesse pelos órgãos genitais e a atração erógena é deslocada para a zona genital. “É natural para uma criança obter satisfação ao brincar com seu corpo e descobrir agradáveis sensações ao tocar os órgãos genitais. Crianças, mesmo bebês, buscam conforto em tais atividades, especialmente se estão sós (…). Aos três anos praticamente todas as crianças se mastrurbam”, escreve Maria Cecília em um dos seus artigos.

A próxima é a fase genital, que começa na fronteira com a adolescência, quando começam as mudanças hormonais e se acentuam as transformações emocionais e sociais.

É mais freqüente [2 a 3 anos] eles se auto masturbarem do que uns aos outros. Já [3 a 5 anos] você vê mais um fazendo carícia no outro, né. É, mas esse ano [na turma de 2 a 3 anos] eu tive uma criança que, eu acho que por ser a caçula e por ter muitos irmãos mais velhos, ela deve ter amadurecido mais, deve ter ido mais rápido nesse, nesse e noutros quesitos.

“Desejos sexuais às vezes estão presentes na infância, às vezes não. Desejo não é vinculado ao coito, não é imagem da transa. Quantas vezes você não olhava seu coleguinha de classe, o vizinho de um jeito diferente? Existe um desejo, uma atração. Diferente dos adultos, que têm os hormônios, o corpo preparado para receber o ato sexual”. Essa explicação vem de Cláudio Picazio, que vou apresentar a seguir.

Homossexualidade

Ao mesmo tempo, a criança, em determinado estágio, já sabe diferenciar os gêneros. Sabe da existência de dois sexos, sabe quem são os meninos e homens, quem são as meninas e mulheres. “A diferenciação de homem e mulher existe desde a fala. Os artigos ‘o’ e ‘a’ fazem com que a criança comece a perceber dois gêneros”, diz Picazio.

Aqui, podemos nos questionar: já que há desejos e diferenciação de gêneros, esses desejos são orientados para sexos opostos ou podem se dirigir ao mesmo sexo? Em outras palavras: existe homossexualidade na infância?

Picazio é autor do livro Diferentes Desejos, que aborda a homossexualidade no período posterior à infância, na adolescência. Ele é categórico: “Não se pode falar que uma criança é heterossexual, que é homossexual”. É na transição da infância para a adolescência que “vai descobrindo que aquela atração que ele sentia realmente é de verdade, que aquele mundo que estava no pensamento é realidade. Os hormônios vão dando essa configuração diferente. Não é mais só um pensamento ou um desejo, agora um corpo responde e age, está pronto para essa ação”.

Fiz amizade com Edu, um débil mental louro de olhos azuis. Ensinei-o a lamber azulejos e ele me ensinou a comer areia. Quando eu ficava de pau duro ele me chupava. A gente comia o ranho um do outro. O problema é que Edu tava folgando pro meu lado. Tive que partir pra chantagem (afinal de contas, eu realizava “pequenos progressos” e não tava a fim de chupar pau de mongolóide) (…). Edu imitava pôneis. Eu entupia o bebedor do playground de cabelos louros cacheados arrancados às dentadas. De tal modo que o boçal relinchava de prazer e, fundamentalmente, desviava seu caralho esquisito pro lado dos cubos de encaixar. Às vezes ele conseguia fuder ou encaixar uma coisa na outra. Eu não conseguia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s